A diferença entre uma equipe que tem um bom desempenho e uma equipe que se recupera.

A primeira coisa que se aprende no Aikido é como cair.

Não como arremessar. Não como se defender. Como cair. Antes de qualquer técnica ser ensinada, antes de qualquer parceiro ser designado, aprende-se ukemi: a arte de receber a força de uma maneira que não a desperdice. A coluna se curva, a respiração se solta, o corpo rola através do impacto em vez de se firmar contra ele. E então algo contraintuitivo acontece. A energia da queda o leva de volta à posição em pé. O arremesso que o derrubou é a mesma força que o levanta.

Isso não é metáfora. É física. E a maioria das organizações nunca aprendeu isso.

O que as equipes são treinadas para fazer, na maioria das vezes sem perceber, é se firmar. Quando algo dá errado, um prazo perdido, um lançamento que aterrissa mal, uma decisão que se mostra errada, o instinto é absorver o impacto como um objeto fixo faria. Contrair os músculos. Manter a posição. Encontrar de onde veio a força e redirecionar a atenção para lá.

A firmeza funciona, de certa forma. A equipe permanece de pé. Mas custa tudo o que a queda continha. O ímpeto se perde, dispersando-se em culpa, defensiva e no trabalho silencioso de se distanciar do resultado. A recuperação é lenta. E a equipe chega ao próximo desafio carregando o peso do anterior, porque nada foi liberado.

Ukemi faz uma pergunta diferente. Não: como absorvemos isso? Mas: como usamos isso?

O desempenho é fácil de medir. A recuperação é invisível até que desapareça. As equipes mais resilientes não são as que se esforçam mais. São as que aprenderam a usar a queda.

As equipes que respondem bem a essa pergunta não parecem dramaticamente diferentes no momento do impacto. Elas se sentem diferentes no minuto seguinte.

Algo dá errado. A realidade é nomeada, brevemente, sem teatro. Não uma autópsia que dura noventa minutos e produz uma apresentação de slides. Uma frase: o que aconteceu. Uma frase: o que isso nos diz. Um próximo passo definido, com um responsável e um prazo. Então a energia avança em vez de ficar girando em círculos.

Esta não é resiliência como resistência. É resiliência como técnica. A queda não é suportada; ela é usada. A força que surge como um revés é convertida no impulso para a próxima ação. Equipes com essa capacidade não se recuperam apesar da dificuldade. Elas se recuperam através dela e chegam ao outro lado com mais informações e uma direção mais clara do que o plano original previa.

O que torna isso possível não é o caráter, mas sim o planejamento.

Um líder que assume a responsabilidade pela equipe sem ser culpado por ela. Um ritual que fecha o ciclo após um problema: breve, específico, sem constrangimento, para que a energia seja liberada em vez de armazenada como ressentimento. Uma cultura onde o custo de errar é baixo o suficiente para que as pessoas apontem os problemas logo no início, quando a queda ainda é pequena e o impulso é fácil de redirecionar.

Essas são escolhas. Não são caras. Estão praticamente ausentes porque ninguém as considerou como parte do planejamento.

Toda organização sabe como medir o desempenho. Quase nenhuma mede a recuperação: a rapidez com que uma equipe retorna ao funcionamento normal, quanta energia da queda é convertida em vez de desperdiçada, se a dificuldade deixa as pessoas mais informadas ou mais na defensiva.

É nessa lacuna que reside o verdadeiro desempenho sustentável.

Se você considerasse a recuperação como uma escolha de design em vez de uma vantagem, o que você mudaria primeiro?


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